As chuvas ficaram distribuídas de forma bastante desigual em Sergipe durante o primeiro semestre de 2026, conforme novo levantamento disponibilizado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, a Emdagro.
A planilha reúne registros mensais de janeiro a junho em 77 pontos de observação, distribuídos por propriedades rurais, povoados, escritórios da empresa, unidades de pesquisa e outras localidades do estado. O documento foi emitido em 9 de julho.
O maior acumulado informado aparece na Colônia São Paulo, em Areia Branca, onde foram registrados 1.038,7 milímetros durante os seis primeiros meses do ano.
Nesse ponto, abril foi o mês mais chuvoso, com 412,5 milímetros. Os registros seguintes foram de 210,1 milímetros em maio e 126,7 milímetros em junho.
Simão Dias e Salgado também registraram volumes elevados
Na localidade Mercador, em Simão Dias, o acumulado entre janeiro e junho chegou a 893 milímetros. O levantamento registrou 224 milímetros em fevereiro, 209,5 milímetros em abril e 156,5 milímetros em junho.
Em Salgado, o ponto localizado na Rua Pedro Goes acumulou 844,7 milímetros. No povoado São Bento, também no município, o volume chegou a 799,6 milímetros.
Riachão do Dantas apresentou 819,6 milímetros no povoado Bonfim, enquanto a Colônia Treze, em Lagarto, registrou 809,6 milímetros no período.
Entre os demais acumulados elevados aparecem:
- Itaporanga d’Ajuda, na Fazenda Água Bonita: 787,1 milímetros;
- Indiaroba: 752,5 milímetros, com dados disponíveis a partir de março;
- Simão Dias, no povoado Mata do Peru: 746 milímetros;
- Boquim, no Sítio São José: 738 milímetros;
- Pedrinhas: 719,1 milímetros;
- Riachão do Dantas, no povoado Palmares: 716,2 milímetros;
- Estância: 715 milímetros.
Acumulados variam dentro do mesmo município
O documento também evidencia que a quantidade de chuva pode variar significativamente entre localidades de um mesmo município.
Em Lagarto, por exemplo, o acumulado da Colônia Treze chegou a 809,6 milímetros. No povoado Olhos d’Água, foram registrados 672 milímetros; no Jenipapo, 571,8 milímetros; e na Moita Redonda, 548,1 milímetros.
Em Riachão do Dantas, o povoado Bonfim acumulou 819,6 milímetros, contra 716,2 milímetros em Palmares e 557 milímetros na Fazenda Mangueiras.
As diferenças reforçam que o registro de um pluviômetro representa a chuva observada naquela localidade. Por isso, os dados não devem ser interpretados automaticamente como uma média uniforme para toda a extensão territorial do município.
Alto Sertão apresenta os menores registros
Os menores acumulados do levantamento aparecem principalmente em localidades de Poço Redondo e Porto da Folha.
No Projeto de Assentamento Lagoa das Areias, em Poço Redondo, foram registrados apenas 110,5 milímetros entre janeiro e junho. Na Lagoa dos Bichos, o acumulado foi de 139,6 milímetros; em Sítios Novos, 170,5 milímetros; e no posto localizado na sede, 248 milímetros.
Em Porto da Folha, a comunidade Boa Vista acumulou 136,3 milímetros, enquanto o povoado Umbuzeiro do Matuto registrou 239,4 milímetros.
Em Canindé de São Francisco, a Comunidade Lagoa do Frio apresentou apenas quatro meses com números informados na tabela e acumulado de 137,8 milímetros. O escritório da Emdagro no município registrou 409,9 milímetros, evidenciando novamente a variação espacial das chuvas.
Junho manteve volumes relevantes em várias regiões
Os registros de junho mostram continuidade das chuvas em diversos municípios.
Capela teve 216 milímetros no mês, o maior volume de junho entre os pontos apresentados. Malhador registrou 187,9 milímetros; Estância, 186,1 milímetros; Japaratuba, 182,6 milímetros; Pedrinhas, 172,5 milímetros; e Boquim, no Sítio São José, 171,8 milímetros.
Na Colônia Treze, em Lagarto, junho terminou com 160,7 milímetros. Em Simão Dias, a localidade Mercador registrou 156,5 milímetros, enquanto o escritório da Emdagro em Aquidabã contabilizou 154 milímetros.
Dados auxiliam o planejamento rural
A medição da chuva é importante para o planejamento das lavouras, manejo de pastagens, armazenamento de água e acompanhamento das condições das propriedades.
O volume acumulado, porém, não deve ser analisado isoladamente. Duas localidades podem registrar totais semelhantes, mas enfrentar situações diferentes conforme a distribuição das chuvas ao longo dos meses e dos dias.
Chuvas muito concentradas podem aumentar o escoamento superficial, provocar erosão e não garantir que toda a água permaneça disponível no solo. Já precipitações mais bem distribuídas tendem a favorecer a infiltração e o aproveitamento pelas plantas.
Também devem ser considerados:
- tipo e profundidade do solo;
- cobertura vegetal;
- capacidade de armazenamento de açudes e cisternas;
- demanda hídrica da cultura;
- fase de desenvolvimento da lavoura;
- temperatura e evaporação;
- drenagem da propriedade.
Produtor pode manter controle próprio
O produtor rural pode complementar os dados oficiais mantendo um pluviômetro na propriedade e registrando diariamente os volumes observados.
O controle local ajuda a decidir o momento de plantio, adubação, pulverização, irrigação e entrada de máquinas na área. Também permite comparar a quantidade de chuva entre anos e identificar períodos mais secos dentro da própria fazenda.
A Emdagro mantém em sua página uma área específica com dados pluviométricos de 2026, anos anteriores e séries históricas de diferentes municípios sergipanos.
O SE Agrícola continuará acompanhando os levantamentos climáticos e seus impactos sobre lavouras, pastagens, rebanhos e reservatórios em Sergipe.