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Clima 5 min de leitura

Milho sofre com falta de chuva em Sergipe e Conab aponta perdas de 50% em Nossa Senhora da Glória

Chuvas irregulares atingiram lavouras em fase crítica; em áreas com perdas irreversíveis, produtores estão transformando o milho em silagem ou liberando o cultivo para pastejo

Milho sofre com falta de chuva em Sergipe e Conab aponta perdas de 50% em Nossa Senhora da Glória

A safra de milho enfrenta um cenário preocupante em Sergipe. O novo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira, 13 de agosto, aponta que a irregularidade das chuvas durante junho e julho comprometeu lavouras em importantes regiões produtoras do estado.

Em Nossa Senhora da Glória, um dos principais municípios produtores de milho de Sergipe, as perdas estão estimadas em 50% da produção até o momento, segundo a Conab.

O problema ocorre justamente quando grande parte das lavouras atravessa fases de elevada necessidade de água.

Segundo o levantamento, o milho sergipano encontra-se majoritariamente entre o pendoamento e o enchimento de grãos, períodos em que a falta de umidade pode comprometer a formação das espigas e reduzir significativamente a produtividade.

Veranicos atingiram o Agreste

A Conab relata que julho, assim como junho, foi um mês desafiador para os produtores sergipanos.

As precipitações permaneceram irregulares e insuficientes para o desenvolvimento adequado das lavouras.

Os veranicos continuaram ocorrendo em diversas microrregiões, inclusive no Agreste Sergipano, onde estão algumas das maiores áreas cultivadas com milho no estado.

As chuvas registradas em determinados pontos durante julho não foram suficientes para recuperar o potencial produtivo das lavouras já afetadas.

Produtores transformam lavoura em silagem para reduzir prejuízo

Nas áreas onde a possibilidade de produzir grãos ficou comprometida, agricultores começaram a buscar outras formas de aproveitar as plantas.

Uma delas é transformar o milho em silagem para alimentação dos rebanhos.

Segundo a Conab, esse movimento está ocorrendo com maior intensidade em Nossa Senhora da Glória.

A decisão pode permitir algum aproveitamento econômico de uma lavoura que dificilmente produziria grãos suficientes para justificar a manutenção até a colheita.

Mas transformar uma área destinada à produção de grãos em silagem exige avaliação.

O valor nutricional, estágio da planta, teor de matéria seca, forma de ensilagem e estrutura disponível para armazenamento interferem diretamente na qualidade do alimento produzido.

Por isso, sempre que possível, a decisão deve contar com orientação técnica.

Algumas lavouras já foram liberadas para o gado

A situação é ainda mais severa em determinados talhões.

A Conab informa que alguns produtores já liberaram áreas de milho para o pastejo do gado, buscando obter alguma receita ou aproveitamento das plantas em locais onde não haveria produção economicamente viável de grãos.

Essa alternativa também exige cuidado.

Antes de colocar os animais na área, o produtor precisa avaliar as condições da lavoura, histórico de aplicações de defensivos, estágio das plantas e possíveis riscos aos animais.

A recomendação técnica é especialmente importante quando a lavoura não havia sido planejada originalmente para pastejo.

Problema atinge também a produção de milho da terceira safra

O cenário sergipano faz parte de uma redução mais ampla observada pela Conab no milho de terceira safra.

Entre julho e agosto, a estimativa nacional dessa produção caiu de 2,695 milhões para 2,438 milhões de toneladas.

Isso representa uma redução de aproximadamente 257 mil toneladas em apenas um levantamento.

Na comparação com a temporada anterior, a Conab estima queda de 18,6% na produção do milho de terceira safra.

As dificuldades climáticas estão concentradas principalmente no nordeste da Bahia, Sergipe e parte de Alagoas.

Perda do milho pode atingir também a pecuária

Em Sergipe, o impacto não termina na lavoura.

O milho possui ligação direta com a pecuária leiteira e de corte, principalmente no Alto Sertão e Agreste.

O cereal pode ser comercializado como grão, utilizado na fabricação de rações ou transformado em silagem para alimentar bovinos durante períodos de menor disponibilidade de pastagem.

Por isso, uma quebra relevante da safra pode afetar simultaneamente agricultores e criadores.

Por outro lado, o direcionamento das lavouras prejudicadas para silagem pode aumentar temporariamente a disponibilidade desse volumoso em determinadas regiões.

O efeito sobre preços ainda precisa ser apurado e não deve ser antecipado sem dados de mercado.

Produtor precisa calcular antes de decidir o destino da lavoura

Quando a produtividade esperada cai significativamente, insistir na colheita de grãos nem sempre representa a melhor decisão econômica.

O produtor pode comparar pelo menos três alternativas:

manter a lavoura até a colheita de grãos;

colher a planta para produção de silagem;

utilizar a área para alimentação direta do rebanho, quando tecnicamente adequado.

A melhor opção depende da produtividade que ainda pode ser alcançada, preço esperado do milho, custo restante até a colheita, disponibilidade de máquinas para ensilagem e existência de demanda por alimento para o rebanho.

A decisão deve ser feita por propriedade e até por talhão.

Sergipe precisa medir tamanho real da quebra

O levantamento da Conab apresenta um alerta importante, mas o cenário ainda precisa ser acompanhado.

A estimativa de 50% de perdas em Nossa Senhora da Glória não significa automaticamente que metade de toda a produção de milho de Sergipe esteja perdida.

O percentual citado pela Conab é específico para o município e para a situação observada até o levantamento realizado no final de julho.

Outras regiões podem apresentar condições diferentes.