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Pecuária 5 min de leitura

Produtores de leite enfrentam pressão dos custos e importações, setor cobra medidas para melhorar rentabilidade

Durante a ExpoLeite 2026, representantes da pecuária leiteira discutiram os desafios econômicos da atividade e a necessidade de políticas públicas para fortalecer os produtores brasileiros.

Produtores de leite enfrentam pressão dos custos e importações, setor cobra medidas para melhorar rentabilidade

A pecuária leiteira brasileira enfrenta desafios que vão além do volume produzido. Os custos de produção, as oscilações nos preços recebidos pelos produtores e a concorrência com produtos lácteos importados estão entre as principais preocupações da cadeia produtiva.

Esses assuntos estiveram no centro do debate “Políticas Públicas e Mercado do Leite”, realizado em 16 de outubro, durante a 4ª ExpoLeite, em Uberaba, Minas Gerais.

Promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), o encontro reuniu representantes do setor para discutir medidas capazes de melhorar a rentabilidade das propriedades e fortalecer a produção nacional.

Brasil produz 36,7 bilhões de litros de leite, mas rentabilidade preocupa

A produção brasileira de leite alcançou 36,7 bilhões de litros em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados pela ABCZ.

O volume demonstra a importância da atividade para a economia agropecuária nacional. Entretanto, produzir mais não significa necessariamente obter melhores resultados financeiros.

A receita das propriedades depende do preço recebido pelo litro de leite, enquanto as despesas incluem alimentação animal, energia elétrica, mão de obra, sanidade, reprodução e manutenção das instalações.

Quando os custos aumentam sem uma valorização proporcional do leite, a margem de lucro do produtor pode diminuir, mesmo que a quantidade produzida permaneça estável ou cresça.

Essa diferença entre produtividade e rentabilidade foi um dos pontos centrais das discussões realizadas durante a ExpoLeite.


Importações de lácteos preocupam produtores brasileiros

A concorrência com produtos lácteos importados também foi discutida pelos representantes da cadeia leiteira.

A entrada de leite em pó, queijos e outros derivados no mercado brasileiro pode influenciar as condições de concorrência enfrentadas pela indústria nacional, dependendo dos preços internacionais, do câmbio e dos volumes comercializados.

Para os produtores, uma das principais preocupações é a possibilidade de pressão sobre os preços pagos pela matéria-prima.

Entretanto, o efeito das importações não ocorre de maneira isolada. A oferta doméstica de leite, a demanda dos consumidores e os custos de processamento também influenciam a formação dos preços.

Durante o encontro, representantes do setor defenderam a necessidade de políticas públicas que contribuam para a competitividade da cadeia produtiva brasileira.


Alimentação animal representa um dos principais desafios econômicos

A alimentação do rebanho ocupa uma parcela importante dos custos operacionais da pecuária leiteira.

Ingredientes como milho e farelo de soja são utilizados na formulação de rações concentradas, enquanto silagem, capim-elefante, pastagens e outros volumosos compõem a base alimentar de diferentes sistemas de produção.

A participação de cada alimento e seu custo variam conforme a região, a época do ano e o modelo de criação.

Por isso, o produtor precisa avaliar não apenas o preço de compra da ração, mas também a quantidade utilizada, a qualidade nutricional e a resposta produtiva dos animais.

Uma dieta mais barata por quilograma nem sempre representa o menor custo por litro de leite produzido.

O planejamento alimentar, a conservação de volumosos e o acompanhamento técnico podem ajudar a melhorar a eficiência econômica da propriedade.

Pecuária leiteira de Sergipe também enfrenta desafios de produtividade e custos

Em Sergipe, a pecuária leiteira possui importância econômica e social, especialmente no Alto Sertão, onde municípios como Nossa Senhora da Glória concentram atividades relacionadas à produção, ao beneficiamento e à comercialização do leite.

Os temas discutidos nacionalmente também são relevantes para a realidade dos pecuaristas sergipanos.

A necessidade de manter a alimentação dos rebanhos durante períodos de menor disponibilidade de pastagens, os custos dos insumos e a negociação dos preços com os compradores fazem parte do planejamento econômico das propriedades.

Para produtores que utilizam silagem de milho, capim-elefante e ração concentrada, conhecer o custo alimentar por litro produzido é uma ferramenta importante para avaliar a eficiência do sistema.

A situação específica dos preços pagos aos produtores de Sergipe, entretanto, exige levantamento regional atualizado. Os dados nacionais apresentados durante a ExpoLeite não permitem concluir que houve queda recente no preço do leite no estado.

Melhoramento genético e gestão podem contribuir para maior eficiência

Além das questões comerciais, a pecuária leiteira brasileira vem ampliando o uso de tecnologias voltadas ao melhoramento genético e à gestão dos rebanhos.

A seleção de animais com características adequadas ao sistema de produção, associada ao manejo nutricional, reprodutivo e sanitário, pode contribuir para melhorar os resultados das propriedades.

Raças como Gir Leiteiro e Girolando possuem importância na produção brasileira, especialmente em sistemas que buscam combinar características produtivas com adaptação às condições tropicais.

Entretanto, o investimento em genética precisa ser acompanhado de planejamento financeiro, infraestrutura e condições adequadas de alimentação e manejo.

O aumento da produtividade individual não garante maior lucro quando os custos adicionais superam o crescimento da receita.

O que o produtor pode fazer para melhorar a rentabilidade?

Diante das dificuldades enfrentadas pelo setor, algumas medidas de gestão podem ajudar o pecuarista a compreender melhor os resultados da atividade.

Entre elas estão o acompanhamento do custo por litro produzido, o controle das despesas com alimentação, a avaliação da produtividade individual das vacas e o planejamento da produção de volumosos.

Também é importante registrar os valores recebidos pelo leite e acompanhar as condições de comercialização.

Esses controles permitem identificar desperdícios, comparar períodos e avaliar investimentos com maior segurança.

Para propriedades familiares e pequenos produtores, o apoio da assistência técnica pode ser especialmente importante na organização dessas informações.

Setor busca soluções para fortalecer a produção nacional

O debate realizado durante a ExpoLeite reforçou a necessidade de aproximar produtores, cooperativas, indústrias e representantes institucionais na busca por soluções para a cadeia leiteira.

Segundo a ABCZ, as discussões envolveram a necessidade de políticas públicas específicas e de medidas voltadas à sustentabilidade econômica da atividade.

O presidente do Sindicato Rural de Uberaba, Vinícius Rodrigues, destacou a importância de reunir diferentes participantes da cadeia produtiva para discutir os problemas e buscar soluções conjuntas.


Para o produtor rural, o desafio continua sendo transformar produtividade em resultado financeiro.

Em um mercado marcado por oscilações de preços e custos elevados, o planejamento da alimentação, o controle financeiro e a eficiência produtiva são fundamentais para a sustentabilidade da pecuária leiteira.