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Emdagro realiza estudo sanitário para proteger o rebanho suíno de Sergipe

Equipes veterinárias coletam amostras para monitorar Peste Suína Clássica e PRRS; produtores devem colaborar com as visitas e comunicar suspeitas ao serviço oficial

Emdagro realiza estudo sanitário para proteger o rebanho suíno de Sergipe

Equipes de médicos-veterinários da Defesa Animal da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe estão realizando um estudo sorológico em propriedades com criação de suínos no estado.

A operação monitora duas enfermidades com grande importância sanitária e econômica: a Peste Suína Clássica, conhecida pela sigla PSC, e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos, a PRRS.

Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, a ação envolve atividades de campo e coleta de amostras para comprovar a condição sanitária dos rebanhos e contribuir para a manutenção do reconhecimento da suinocultura sergipana.

Coleta não significa existência de foco da doença

A realização do estudo não significa que tenha sido identificado um foco de Peste Suína Clássica ou PRRS em Sergipe.

A amostragem faz parte da vigilância ativa: o serviço veterinário visita estabelecimentos, avalia os animais e recolhe material para análise mesmo quando não há registro de doença na propriedade.

O objetivo é produzir evidências sanitárias, identificar rapidamente uma eventual alteração e demonstrar que o sistema de vigilância permanece funcionando.

O Ministério da Agricultura mantém um Plano Integrado de Vigilância de Doenças dos Suínos, abrangendo a PSC, a Peste Suína Africana e a PRRS. Esse sistema foi ampliado em 2021 para reunir diferentes estratégias de acompanhamento das enfermidades.

O que é a Peste Suína Clássica

A Peste Suína Clássica é uma enfermidade viral que atinge suínos domésticos e animais asselvajados.

A doença pode provocar perdas expressivas na criação e gerar restrições ao trânsito e à comercialização de animais e produtos. Por isso, a manutenção da condição sanitária depende de fiscalização, controle de movimentação, vigilância nas propriedades e investigação de suspeitas.

O reconhecimento de zonas livres é baseado em critérios sanitários e na capacidade do serviço veterinário de demonstrar que mantém a doença sob controle ou ausente na área reconhecida. A Organização Mundial de Saúde Animal passou a reconhecer oficialmente países e zonas livres de PSC a partir de 2014.

PRRS nunca foi registrada no Brasil

A Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos é uma doença viral que pode comprometer a reprodução dos animais e o sistema respiratório, com forte impacto econômico nas granjas atingidas.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a PRRS nunca foi registrada no Brasil. Mesmo assim, qualquer caso suspeito precisa ser comunicado imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

A ausência histórica da enfermidade não elimina a necessidade de monitoramento. O Brasil mantém comércio de animais, material genético e produtos biológicos com países onde o vírus está presente, o que torna indispensáveis a vigilância contínua e os controles sanitários.

Como funciona o estudo sorológico

No estudo, as propriedades são selecionadas de acordo com os critérios definidos pelo planejamento sanitário.

Os veterinários podem verificar as condições da criação, identificar os animais, consultar os registros da propriedade e coletar amostras de sangue. O material é encaminhado para análise laboratorial.

O resultado de uma propriedade integra um conjunto maior de informações utilizado para avaliar a situação epidemiológica do estado e do país.

Por isso, a participação do criador é importante mesmo quando os animais aparentam estar saudáveis.

Produtor deve permitir o trabalho das equipes

Quando uma propriedade for incluída na amostragem, o responsável deve colaborar com os profissionais do serviço oficial e fornecer informações corretas sobre o rebanho.

É recomendável manter atualizados:

  • cadastro da propriedade e do produtor;
  • quantidade e categoria dos animais;
  • registros de entrada e saída de suínos;
  • origem dos animais adquiridos;
  • documentos de trânsito;
  • registros de mortalidade;
  • informações sobre vacinação, tratamentos e visitas técnicas.

A movimentação regular dos animais permite maior rastreabilidade e facilita a investigação caso seja identificado algum problema sanitário.

Biossegurança reduz riscos na criação

Além da vigilância oficial, cada produtor possui responsabilidade sobre a prevenção de doenças dentro da propriedade.

Medidas básicas de biossegurança incluem controlar a entrada de pessoas e veículos, evitar o contato dos suínos com animais de origem desconhecida, manter instalações limpas e adquirir animais somente de estabelecimentos regulares.

Também é importante proteger a ração e a água contra contaminação, higienizar materiais compartilhados e separar imediatamente animais que apresentem alterações.

Restos de alimentos de origem animal não devem ser oferecidos aos suínos sem o tratamento exigido pelas normas sanitárias. A introdução de animais sem procedência e o trânsito irregular aumentam o risco para toda a cadeia produtiva.

Quais sinais merecem atenção

O produtor deve procurar assistência veterinária e comunicar o serviço oficial diante de alterações incomuns no rebanho, principalmente quando vários animais apresentarem problemas ao mesmo tempo.

Entre as situações que exigem atenção estão:

  • febre ou abatimento em vários animais;
  • redução repentina do consumo de água ou alimentação;
  • dificuldade respiratória;
  • abortamentos ou problemas reprodutivos fora do padrão;
  • aumento inesperado da mortalidade;
  • alterações de locomoção ou comportamento;
  • aparecimento de sinais semelhantes em diferentes lotes.

Esses sinais podem ter várias causas e não confirmam, isoladamente, PSC ou PRRS. O diagnóstico depende da avaliação veterinária e de exames laboratoriais.

O criador não deve transportar, vender ou abater animais suspeitos antes de receber orientação do serviço competente.

Vigilância protege também o mercado

Uma boa condição sanitária reduz perdas dentro das propriedades e fortalece a confiança dos compradores na origem dos animais e dos produtos.

A vigilância também ajuda a preservar o trânsito regular, a comercialização e o reconhecimento sanitário das regiões produtoras.

O plano nacional destaca que a posição da suinocultura brasileira nos mercados interno e externo é sustentada, entre outros fatores, pela condição sanitária favorável e pela ausência de doenças de grande impacto comercial, como a PRRS e a Peste Suína Africana.

Para Sergipe, mesmo com uma produção menor que a dos grandes estados exportadores, a prevenção é necessária para proteger criadores comerciais, agricultores familiares e toda a cadeia relacionada ao transporte, abate e comercialização.

Ação é de vigilância, não de vacinação

O trabalho divulgado pela Emdagro é um estudo sorológico e de vigilância sanitária.

Não se trata de campanha de vacinação e também não significa que todos os criadores receberão automaticamente uma visita. As propriedades são incluídas conforme o planejamento e os critérios técnicos da operação.

Caso seja procurado por uma equipe, o produtor pode solicitar a identificação dos profissionais e confirmar as orientações pelos canais oficiais da Emdagro.

O SE Agrícola continuará acompanhando a execução do estudo e a divulgação dos resultados oficiais.