O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento comercial de criação de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A confirmação laboratorial ocorreu no domingo (18), e as autoridades sanitárias divulgaram, na segunda-feira (19), as medidas adotadas para conter a ocorrência e evitar a disseminação do vírus.
A propriedade afetada possui aproximadamente 6 mil perus de corte e foi submetida à interdição sanitária, com restrições à movimentação de aves e outras medidas de controle.
A ocorrência mobilizou os serviços oficiais de defesa agropecuária, que iniciaram ações de vigilância epidemiológica na região. Segundo as informações divulgadas pelo MAPA, aproximadamente 133 propriedades rurais estão incluídas nas atividades de monitoramento.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que acomete aves domésticas e silvestres, podendo provocar prejuízos significativos à avicultura.
Causada por determinadas variantes do paramixovírus aviário tipo 1, a doença pode afetar os sistemas respiratório, digestivo e nervoso das aves.
Entre os sinais clínicos que podem ocorrer estão dificuldades respiratórias, secreções, diarreia, alterações neurológicas, redução da produção de ovos e aumento da mortalidade.
A intensidade dos sintomas depende de fatores como a variante viral envolvida, a espécie, a idade e as condições sanitárias das aves.
Por ser uma doença de notificação obrigatória, qualquer suspeita deve ser comunicada ao serviço veterinário oficial.
Autoridades intensificam fiscalização em propriedades da região
Após a confirmação do foco, foram adotadas medidas para reduzir o risco de disseminação do agente infeccioso.
As ações incluem a interdição do estabelecimento afetado, restrições à movimentação de aves, investigação epidemiológica e procedimentos de eliminação sanitária do plantel, limpeza e desinfecção das instalações.
A vigilância também abrange propriedades localizadas em Nova Itaberaba e municípios próximos, incluindo Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias.
O monitoramento é importante para identificar eventuais vínculos epidemiológicos e detectar rapidamente outras suspeitas.
Carne de aves inspecionada continua segura para consumo
O MAPA esclareceu que os produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial continuam seguros para consumo.
A confirmação da doença em um estabelecimento não significa que todas as granjas brasileiras estejam afetadas.
As autoridades de defesa agropecuária trabalham com medidas específicas de contenção, vigilância e controle, conforme os protocolos sanitários aplicáveis.
A ocorrência também não deve ser confundida com influenza aviária, conhecida popularmente como gripe aviária. São enfermidades distintas, embora ambas exijam atenção dos serviços veterinários oficiais.
Quais cuidados os avicultores devem adotar?
A biosseguridade é fundamental para reduzir a entrada e a circulação de agentes infecciosos nas propriedades avícolas.
Entre as principais medidas recomendadas estão:
- Controlar o acesso de pessoas, veículos e equipamentos às instalações.
- Evitar contato entre aves de criação e aves silvestres.
- Higienizar e desinfetar equipamentos, instalações e materiais utilizados no manejo.
- Manter a água e os alimentos protegidos de possíveis fontes de contaminação.
- Acompanhar diariamente o comportamento, o consumo de alimento e a mortalidade das aves.
- Cumprir os programas sanitários e de vacinação aplicáveis ao tipo de criação.
- Comunicar imediatamente ao serviço veterinário oficial qualquer suspeita de doença.
Em caso de mortalidade anormal ou sinais compatíveis com enfermidades de notificação obrigatória, o produtor deve evitar movimentar as aves e procurar orientação oficial.
O que muda para os produtores de Sergipe?
Embora o foco confirmado esteja localizado em Santa Catarina, o episódio reforça a importância da prevenção sanitária em todo o país.
Em Sergipe, produtores de frangos, galinhas caipiras, aves de postura e outras espécies devem manter atenção às boas práticas de biosseguridade.
O acompanhamento sanitário é especialmente importante em propriedades com circulação frequente de pessoas, entrada de novas aves ou participação em feiras e eventos agropecuários.
Os criadores sergipanos podem procurar a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) para obter orientações sobre defesa sanitária animal e comunicação de suspeitas.
Até o momento, as informações utilizadas nesta reportagem referem-se ao foco confirmado em Santa Catarina. Não há confirmação, nessas informações, de ocorrência da doença em Sergipe.
Sanidade animal é essencial para proteger a avicultura brasileira
A avicultura possui grande importância para a produção de alimentos, a geração de empregos e as exportações do agronegócio brasileiro.
Ocorrências de doenças de notificação obrigatória exigem resposta rápida das autoridades, tanto para proteger os plantéis quanto para preservar a confiança nos controles sanitários nacionais.
Para os produtores, a principal orientação é manter os procedimentos preventivos, observar a saúde das aves e colaborar com os serviços oficiais de defesa agropecuária.
O SE Agrícola continuará acompanhando as informações divulgadas pelo MAPA e pelos órgãos estaduais de defesa sanitária sobre a ocorrência em Santa Catarina.