SE Agrícola

Sergipe receberá milho dos estoques públicos da Conab em nova operação de abastecimento

Pregão para transporte de 36,2 mil toneladas acontece nesta quarta-feira (30); Nordeste receberá mais de 92% da carga e Sergipe está entre os destinos

Imagem: SE Agrícola

Sergipe está entre os estados que receberão milho dos estoques públicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em uma nova operação logística destinada a reforçar o abastecimento do Programa de Venda em Balcão (ProVB).

A Conab realizará nesta quarta-feira, 30 de setembro, às 9h30, um pregão eletrônico para contratar o transporte de 36,2 mil toneladas de milho entre diferentes unidades armazenadoras do país.

Do volume total, aproximadamente 33,4 mil toneladas terão como destino o Nordeste, o equivalente a mais de 92% da carga movimentada nesta operação.

Além de Sergipe, estão entre os destinos nordestinos Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Para o produtor sergipano, principalmente pequenos criadores que utilizam milho na alimentação animal, a movimentação merece atenção.

Quanto de milho virá para Sergipe?

A Conab confirmou Sergipe entre os destinos da operação, mas a divulgação pública da Companhia não informa, no texto principal, quantas toneladas das 33,4 mil destinadas ao Nordeste serão enviadas especificamente ao estado.

Esse dado é importante para avaliar o impacto real da operação e não deve ser estimado.

Também será necessário confirmar em qual unidade armazenadora sergipana o cereal ficará disponível e quando poderá efetivamente chegar aos criadores atendidos pelo programa.

A previsão da Conab é que a convocação para início dos embarques seja realizada até 8 de outubro.

Isso, entretanto, não significa necessariamente que o milho estará disponível para compra pelos criadores nessa mesma data.

Milho será utilizado no Programa de Venda em Balcão

Uma das principais finalidades da recomposição dos estoques públicos é atender o Programa de Venda em Balcão, conhecido como ProVB.

O programa permite que pequenos criadores tenham acesso aos estoques públicos de milho em condições estabelecidas pela Conab.

A iniciativa é especialmente importante para propriedades que utilizam o cereal na formulação da alimentação dos animais e que, devido ao menor volume adquirido, possuem menor capacidade de negociação no mercado.

Em Sergipe, o programa pode interessar principalmente a produtores ligados à bovinocultura leiteira, avicultura, suinocultura, caprinocultura e ovinocultura.

Por que o milho é tão importante para o criador?

O milho é uma das principais fontes energéticas utilizadas na alimentação animal.

Na pecuária leiteira, por exemplo, o cereal aparece frequentemente na composição dos concentrados fornecidos às vacas.

Também possui participação importante nas rações destinadas a aves e suínos.

Por isso, alterações no preço do milho podem interferir diretamente no custo de produção dessas atividades.

Para pequenos criadores, especialmente aqueles que compram quantidades menores, o custo do cereal pode ser ainda mais relevante porque há menor capacidade para negociar grandes lotes diretamente com fornecedores.

É justamente nesse ponto que o Programa de Venda em Balcão busca atuar.

Conab comprou mais de 190 mil toneladas de milho

A movimentação que inclui Sergipe faz parte de uma operação maior de recomposição dos estoques públicos.

Nos leilões realizados nos dias 18 e 21 de setembro, a Conab adquiriu aproximadamente 191 mil toneladas de milho, correspondentes a 85,27% das 224 mil toneladas que poderiam ser adquiridas.

O investimento nas operações ficou próximo de R$ 228 milhões.

Outro dado chama atenção: aproximadamente 121 mil toneladas do volume adquirido serão fornecidas por agricultores familiares.

Segundo a Companhia, as aquisições foram realizadas para recompor os estoques públicos destinados ao Programa de Venda em Balcão.

Estoques também funcionam como proteção para períodos de dificuldade

A recomposição ocorre em um momento no qual a Conab busca aumentar a capacidade de resposta a eventuais problemas de abastecimento.

A Companhia informou que a medida também considera a possibilidade de impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

Ter milho armazenado em diferentes regiões permite movimentar o cereal para locais onde existe demanda do programa.

A operação desta quarta-feira é justamente uma etapa dessa logística.

O milho precisa sair das unidades onde está armazenado e chegar aos estados e armazéns que atenderão os criadores.

Chegada do milho não significa automaticamente queda no preço de mercado

Apesar da importância da operação, o produtor precisa ter cautela ao interpretar a notícia.

Não é possível afirmar neste momento que a chegada do milho dos estoques públicos fará o preço do cereal cair em Sergipe.

O preço praticado no mercado depende de diversos fatores, como:

oferta da safra;

demanda das fábricas de ração;

consumo das propriedades;

frete;

estoques privados;

produção de outros estados;

qualidade do grão;

e condições de comercialização.

O Programa de Venda em Balcão possui um público específico e regras próprias.

Por isso, seu preço também não deve ser tratado automaticamente como uma nova cotação geral do milho no estado.

Quem pode comprar milho pelo Venda em Balcão?

O programa é direcionado principalmente aos pequenos criadores de animais.

Para comprar, o interessado precisa atender às condições estabelecidas pela Conab e possuir cadastro regular no programa.

Entre os beneficiários podem estar criadores de bovinos, aves, suínos, caprinos e ovinos, desde que atendam aos critérios vigentes.

A quantidade que cada produtor pode adquirir também depende das regras e dos limites estabelecidos pelo programa.

Antes de se deslocar até uma unidade da Conab, o produtor deve confirmar sua situação cadastral, a disponibilidade do produto e as condições de venda.

Pecuária leiteira sergipana pode ser uma das principais interessadas

No contexto estadual, a movimentação merece atenção especial dos produtores de leite.

Municípios do Alto Sertão possuem forte dependência da compra de alimentos concentrados para complementar a alimentação do rebanho, especialmente em períodos de menor disponibilidade de pastagens e reservas de volumosos.

Milho, farelo de soja e outros ingredientes representam parcela relevante do custo alimentar.

Por isso, saber quanto milho será efetivamente destinado a Sergipe e qual será o preço praticado pelo Venda em Balcão será fundamental para avaliar a utilidade econômica da operação para os produtores.

Próximo passo é descobrir volume e preço para Sergipe

A confirmação de Sergipe como destino é apenas a primeira informação.

Agora, quatro perguntas precisam ser respondidas:

Quantas toneladas serão destinadas a Sergipe?

Em qual armazém o milho ficará disponível?

Quando começarão as vendas aos criadores?

Qual será o preço da saca para os produtores cadastrados?

Esses dados permitirão comparar o preço do programa com o milho vendido atualmente no mercado sergipano.

Essa comparação será mais útil ao criador do que simplesmente conhecer o volume nacional movimentado.

O SE Agrícola acompanhará a operação e buscará as informações específicas de Sergipe após a realização do pregão.

Serviço — Programa de Venda em Balcão

Produto: milho em grãos dos estoques públicos

Operação de transporte: 36,2 mil toneladas

Destino para o Nordeste: aproximadamente 33,4 mil toneladas

Sergipe: confirmado entre os estados que receberão o produto

Pregão para contratação do transporte: 30 de setembro de 2026

Horário: 9h30

Previsão para convocação dos embarques: até 8 de outubro

Programa: Venda em Balcão (ProVB)

Atenção: quantidade destinada especificamente a Sergipe, unidade armazenadora, data de disponibilidade e preço ao criador ainda precisam ser confirmados antes da compra.

I