A falta de vacinas contra influenza equina continua exigindo atenção de criadores, médicos-veterinários e organizadores de eventos equestres no Brasil.
O problema ganhou dimensão nacional depois que o Ministério da Agricultura e Pecuária reconheceu, em março, um cenário de desabastecimento crítico do imunizante e orientou os órgãos estaduais de defesa sanitária a adotarem medidas administrativas diante da dificuldade de encontrar doses no mercado.
Documentos oficiais estaduais que reproduzem a orientação do Ministério informam que a redução chegou a aproximadamente 70% das doses disponíveis no mercado brasileiro.
Meses depois, o problema ainda produz efeitos sobre a equideocultura.
Na 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, realizada atualmente em Belo Horizonte, a organização informou que a vacinação contra influenza equina não está sendo exigida para entrada dos animais, em razão do desabastecimento nacional e de medida excepcional adotada pela autoridade sanitária de Minas Gerais.
A situação interessa diretamente a Sergipe, que possui criadores de cavalos, haras, vaquejadas, cavalgadas, exposições e outras atividades que envolvem trânsito e concentração de equídeos.
O que provocou a falta de vacinas?
O problema começou com uma forte redução na oferta nacional.
Em março, o Departamento de Saúde Animal do Mapa comunicou aos órgãos estaduais a existência de um cenário crítico de abastecimento.
A documentação publicada por órgãos estaduais que receberam o Ofício nº 134/2026/DSA/SDA/Mapa registra a retirada abrupta de aproximadamente 70% das doses disponíveis no mercado.
Em maio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil voltou a alertar o Ministério sobre a falta de imunizantes veterinários.
A entidade informou que o problema não estava restrito à influenza equina e também alcançava produtos utilizados contra clostridioses, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose.
Portanto, o desabastecimento deixou de ser apenas uma dificuldade pontual encontrada por alguns criadores e passou a ser tratado institucionalmente como um problema da cadeia pecuária.
Mapa colocou processos relacionados à vacina como prioridade
O assunto também chegou à Câmara Setorial de Equideocultura do Ministério da Agricultura.
Na reunião realizada em abril, representantes do Mapa informaram que processos regulatórios relacionados às vacinas contra influenza equina estavam recebendo orientação para análise prioritária.
Também foi discutida a possibilidade de avaliar importação emergencial caso o abastecimento permanecesse insuficiente ou houvesse agravamento da situação sanitária.
Isso não significa que uma importação emergencial tenha sido autorizada ou que o mercado já esteja normalizado.
A informação oficial encontrada registra discussão e acompanhamento regulatório, e não a solução definitiva do problema.
Suspensão de exigência não significa suspensão da vacinação
Esse é provavelmente o ponto mais importante para os criadores.
Em diferentes estados, autoridades sanitárias suspenderam temporariamente a exigência de comprovação da vacinação para determinadas situações de trânsito ou participação em eventos.
Isso não significa que a vacina tenha sido proibida ou que a influenza equina tenha deixado de representar risco sanitário.
Quando houver imunizante disponível e indicação veterinária, a vacinação continua sendo uma ferramenta preventiva.
A excepcionalidade administrativa existe justamente porque criadores passaram a encontrar dificuldade para adquirir o produto.
E qual é a situação em Sergipe?
Na pesquisa realizada por nos do SeAgrícola, não localizamos nos canais públicos indexados da Emdagro uma portaria sergipana recente que permita ao SE Agrícola afirmar que Sergipe adotou exatamente a mesma suspensão estabelecida por outros estados.
Por isso, o criador não deve utilizar regras de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Paraná ou qualquer outro estado como se fossem automaticamente válidas em Sergipe.
Antes de transportar um animal, o responsável deve confirmar as exigências diretamente com a Emdagro e verificar também as condições sanitárias estabelecidas pelo estado de destino e pelo evento.
Essa verificação é ainda mais importante em viagens interestaduais.
Nacional do Mangalarga mostra o efeito prático
A exposição da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador oferece um exemplo atual de como a falta do imunizante está sendo administrada.
A entidade informa expressamente que, para a edição de 2026, não exige imunização nem atestado de vacinação contra influenza equina para entrada dos animais, em razão do desabastecimento e da Portaria IMA nº 2.444/2026.
Por outro lado, continuam sendo solicitados:
- exame negativo para Anemia Infecciosa Equina (AIE);
- exame negativo para mormo;
- atestado sanitário;
- Guia de Trânsito Animal (GTA).
Os exames apresentados para a Nacional precisam permanecer válidos até 3 de agosto de 2026 ou enquanto o animal estiver em trânsito após o término do evento.
Isso demonstra por que é incorreto interpretar a flexibilização relacionada à influenza como uma suspensão geral das exigências sanitárias.
Criador precisa consultar também as regras do destino
Um cavalo saindo de Sergipe para uma competição em outro estado estará sujeito a requisitos relacionados à origem, ao destino e à finalidade da movimentação.
Antes da viagem, o responsável deve verificar a documentação necessária para aquele deslocamento específico.
O regulamento do próprio evento também merece atenção.
Uma exposição pode possuir exigências adicionais relacionadas à admissão dos animais, horários de desembarque, documentação veterinária, identificação e biossegurança.
AIE e mormo continuam no centro da atenção sanitária
A flexibilização encontrada para influenza equina não deve ser confundida com as regras relacionadas à Anemia Infecciosa Equina e ao mormo.
Em Sergipe, existe regulamentação específica para participação de equídeos em eventos. A legislação sanitária sergipana aparece inclusive nas referências nacionais de sanidade equídea, incluindo a Portaria Emdagro nº 187/2023 relacionada ao mormo.
O responsável deve verificar a validade dos exames e demais requisitos antes de solicitar a GTA.
Médico-veterinário ganha importância ainda maior
A escassez da vacina torna a vigilância clínica especialmente importante.
Em orientação publicada durante o atual período de desabastecimento, o CRMV-RS destacou que a retirada temporária de uma exigência administrativa não elimina o risco da doença e recomendou atenção dos responsáveis técnicos para animais com sinais respiratórios.
Embora a orientação tenha sido publicada pelo conselho gaúcho e não constitua uma norma específica de Sergipe, os princípios de biossegurança ajudam a compreender os cuidados necessários durante concentrações de animais.
Animais com alterações clínicas devem ser avaliados por médico-veterinário e não devem ser levados a aglomerações sem avaliação adequada.
Eventos exigem cuidados adicionais
Exposições, provas, vaquejadas e cavalgadas aumentam o contato entre animais provenientes de propriedades diferentes.
Nessas situações, medidas de biossegurança ganham importância.
Entre elas estão evitar o compartilhamento desnecessário de equipamentos, manter instalações higienizadas, controlar a entrada de animais e observar alterações clínicas.
O responsável técnico do evento desempenha papel essencial nesse processo.
Não compre vacina de origem duvidosa
A dificuldade para encontrar um produto pode criar espaço para ofertas de procedência desconhecida.
O criador deve evitar produtos sem identificação adequada, armazenamento desconhecido ou comercializados fora dos canais regulares.
Vacinas veterinárias dependem de condições corretas de conservação para manter sua qualidade.
Também não é recomendável substituir uma vacina por outro produto apenas porque contém componentes aparentemente semelhantes sem orientação veterinária.
Antes de viajar com um equino
O responsável deve conferir com antecedência:
1. GTA
Verificar os requisitos para emissão de acordo com origem, destino e finalidade.
2. AIE
Confirmar se o exame está dentro da validade exigida.
3. Mormo
Verificar a regra aplicável ao trânsito e ao evento.
4. Atestado sanitário
Confirmar quando será exigido.
5. Influenza equina
Consultar a regra vigente na origem, no destino e no regulamento do evento.
6. Datas dos documentos
A validade precisa cobrir o período necessário para a viagem e retorno.
7. Exigências específicas do evento
Não presumir que apenas possuir GTA garante automaticamente a entrada.
Situação ainda merece acompanhamento
A falta da vacina contra influenza equina já dura meses e continua produzindo efeitos concretos sobre eventos realizados em julho.
A análise prioritária dos processos regulatórios pelo Mapa demonstra que o problema é conhecido pelas autoridades. Entretanto, nas fontes consultadas, não foi encontrada confirmação de normalização nacional dos estoques.
Para os criadores sergipanos, a recomendação mais segura é verificar cada movimentação diretamente com o serviço veterinário oficial antes do embarque.
O SE Agrícola continuará acompanhando a situação e buscará junto à Emdagro informações específicas sobre o abastecimento e as regras atualmente aplicadas em Sergipe.