A 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador recebeu uma certificação internacional voltada ao bem-estar animal durante a programação realizada no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte.
O reconhecimento Fair4Them foi entregue no sábado, 26 de julho, após avaliação técnica independente conduzida pela certificadora TÜV Rheinland. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, o protocolo analisou práticas relacionadas ao manejo, transporte, permanência e participação dos animais no evento.
A exposição começou em 18 de julho e segue até 1º de agosto de 2026. A expectativa divulgada pela ABCCMM é reunir aproximadamente 1,5 mil animais, além de criadores, expositores e profissionais de diferentes regiões do país.
Certificação resulta de avaliação independente
De acordo com a ABCCMM, a certificação foi concedida a partir de uma avaliação técnica independente e auditável, baseada nos critérios do protocolo Fair4Them.
O trabalho foi conduzido pela TÜV Rheinland, certificadora internacional acreditada pelo International Accreditation Forum. A associação afirma que o reconhecimento busca demonstrar a adoção de boas práticas desde as propriedades de origem até o transporte e a permanência dos animais no parque.
A certificação não substitui a fiscalização sanitária oficial, a atuação do médico-veterinário nem o cumprimento das normas de trânsito animal. Ela representa uma avaliação específica das práticas adotadas pelo evento conforme o protocolo aplicado.
Para criadores sergipanos que participam de exposições, copas de marcha e outros encontros equestres, a iniciativa reforça a importância de incorporar o bem-estar animal ao planejamento da viagem e da competição.
Transporte exige preparação dos animais
O cuidado com o cavalo começa antes da chegada ao parque de exposições.
O responsável deve verificar a situação sanitária, a documentação exigida, as condições do veículo e o planejamento da viagem. Animais sem preparação adequada podem sofrer com estresse, desidratação, calor, fadiga e lesões durante o deslocamento.
A página oficial da exposição disponibiliza orientações para emissão da Guia de Trânsito Animal e informa datas e horários específicos para entrada e saída dos equinos. A ABCCMM também definiu períodos intermediários para retirada dos animais ao longo da programação.
A emissão da GTA e os exames sanitários aplicáveis devem seguir as exigências do serviço veterinário oficial. A inscrição em um evento da associação não substitui esses documentos.
Evento mantém atendimento veterinário
A ABCCMM estabeleceu regras específicas para o atendimento clínico dos animais dentro do Parque da Gameleira.
Cada expositor deve cadastrar o médico-veterinário responsável pelos procedimentos clínicos e informar os colaboradores autorizados a conduzir os animais até a clínica veterinária do evento.
Quando houver administração de medicamentos, o profissional responsável precisa comunicar oficialmente:
- nome e dose do produto;
- data e horário da aplicação;
- duração do tratamento;
- identificação do animal;
- nome do haras;
- identificação do expositor.
O comunicado deve ser encaminhado à Comissão de Controle de Dopagem até uma hora antes da entrada do animal em pista. Somente médicos-veterinários credenciados podem enviar o documento pelo sistema da associação.
Expositores que não possuírem profissional próprio podem procurar a clínica veterinária disponibilizada durante o evento.
Antidopagem influencia pagamento das premiações
A 43ª Exposição Nacional prevê a distribuição de R$ 1,2 milhão em premiações entre animais, apresentadores e competidores das provas esportivas.
Nos campeonatos convencionais e de animais castrados, a ABCCMM informou que o pagamento das premiações somente ocorrerá depois da divulgação dos resultados dos exames antidopagem.
A associação mantém um regulamento com substâncias classificadas como permitidas, controladas ou proibidas. Por isso, qualquer tratamento realizado próximo a uma prova precisa ser avaliado pelo médico-veterinário e comunicado conforme as regras.
O criador não deve suspender um tratamento necessário apenas para manter o animal em competição. A saúde do equino deve prevalecer, e a equipe técnica deve avaliar se existem condições seguras para sua participação.
Bem-estar deve ser observado durante todo o evento
A permanência em exposições exige atenção contínua às condições dos animais.
Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão:
- disponibilidade de água limpa;
- alimentação adequada à rotina do animal;
- ventilação e conforto nas baias;
- limpeza da cama;
- tempo de descanso;
- condição dos cascos;
- prevenção de escorregões;
- sinais de dor, claudicação ou exaustão;
- adaptação ao ambiente e à movimentação do público;
- uso correto de equipamentos de condução e apresentação.
O calendário de julgamentos não deve impedir os períodos necessários de descanso, alimentação e hidratação.
Alterações no comportamento, recusa persistente de alimento, suor excessivo, dificuldade respiratória ou problemas de locomoção devem ser avaliados por um médico-veterinário.
Exposição reúne julgamentos e atividades técnicas
A programação da Nacional inclui julgamentos de Marcha Batida, Marcha Picada e Morfologia, além de provas esportivas, provas sociais, palestras e reuniões técnicas.
As provas sociais estão programadas para 31 de julho. O evento também oferece atividades relacionadas ao manejo, à gestão dos criatórios e ao desenvolvimento da raça.
A ABCCMM é credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para executar o serviço oficial de registro genealógico do Mangalarga Marchador. A associação mantém ainda núcleos regionais responsáveis pela promoção de eventos oficiais em diferentes estados.
Em Sergipe, a Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador mantém núcleo reconhecido pela entidade nacional e promove atividades relacionadas à raça no estado.
Certificação amplia debate sobre eventos equestres
A concessão da certificação pode ampliar o debate sobre os critérios adotados em exposições, provas, cavalgadas e competições equestres.
Além da qualidade genética e do desempenho em pista, organizadores e participantes precisam observar a saúde, o condicionamento físico e as condições de manejo dos animais.
O reconhecimento recebido pela exposição não significa que todo evento equestre realizado no país possua a mesma certificação. Cada organização precisa demonstrar o atendimento aos critérios do protocolo correspondente.
Para os criadores, a adoção voluntária de boas práticas pode contribuir para reduzir acidentes, melhorar o desempenho dos animais e fortalecer a responsabilidade da atividade perante a sociedade.
O SE Agrícola continuará acompanhando a exposição, a divulgação dos resultados e as informações destinadas aos criadores de equinos de Sergipe.