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El Niño intensifica seca em Sergipe e no Nordeste; 68 municípios brasileiros enfrentam seca extrema

Novo boletim do Cemaden aponta avanço da estiagem no país, com agravamento em Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco. Previsão de chuvas abaixo da média preocupa agricultores e pecuaristas diante do risco de escassez de água e alimentos para os rebanhos.

Imagem: SE Agrícola

A seca continua avançando no Brasil e já preocupa produtores rurais de diferentes regiões, especialmente no Nordeste. Dados divulgados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que 68 municípios brasileiros foram classificados em situação de seca extrema, conforme o levantamento parcial de outubro de 2026.

O número representa um crescimento expressivo em relação a agosto, quando apenas quatro municípios estavam nessa condição.

Além disso, a quantidade de municípios classificados com seca severa passou de 153 para 232 no mesmo período.

As informações fazem parte da quinta edição do Painel El Niño 2026–2027, publicada em 29 de outubro, que reúne análises de instituições federais responsáveis pelo monitoramento climático e hidrológico do país.

Segundo o documento, o agravamento da seca está concentrado principalmente em áreas de Sergipe, Bahia, Alagoas e Pernambuco.

O cenário preocupa a agricultura e a pecuária nordestinas, que dependem da regularidade das chuvas para a produção de alimentos, a manutenção das pastagens e o abastecimento hídrico das propriedades rurais.

Seca extrema avança rapidamente no Brasil

O Índice Integrado de Seca (IIS-3), utilizado pelo Cemaden, permite acompanhar a intensidade e a evolução das condições de estiagem em diferentes municípios brasileiros.

Os dados demonstram um agravamento significativo entre agosto e outubro.

ClassificaçãoAgosto de 2026Outubro de 2026*Municípios em seca extrema468Municípios em seca severa153232

Dados parciais de outubro, divulgados em 29/10/2026.

O aumento da quantidade de municípios afetados demonstra a expansão das condições de déficit hídrico.

O levantamento também identificou áreas pontuais de seca excepcional, a classificação mais grave do índice.

No Nordeste, as condições mais preocupantes aparecem especialmente em partes de Alagoas, Bahia, Sergipe e Pernambuco.

É importante destacar que os 68 municípios em seca extrema correspondem ao total nacional, e não apenas aos municípios de Sergipe.

El Niño pode permanecer forte até o início de 2027

O boletim também apresenta projeções para a evolução do fenômeno El Niño nos próximos meses.

Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deverá continuar influenciando as condições climáticas brasileiras.

As projeções indicam a possibilidade de manutenção de um El Niño forte a muito forte até pelo menos o primeiro trimestre de 2027.

Para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, existe maior probabilidade de precipitações abaixo da média em áreas do Nordeste e em grande parte da Região Norte.

Ao mesmo tempo, a tendência é de temperaturas superiores às médias históricas em grande parte do território nacional.

A combinação de calor e precipitações insuficientes pode intensificar a perda de umidade do solo e aumentar a demanda por água nas atividades agropecuárias.

Entretanto, as projeções são probabilísticas e não significam ausência completa de chuvas durante o período.

Sergipe está entre os estados com agravamento da seca

Sergipe aparece entre os estados nordestinos destacados pelo Cemaden devido ao agravamento das condições de seca.

A situação exige atenção especial nas regiões onde a produção agropecuária depende diretamente das chuvas e da disponibilidade de reservatórios.

No Alto Sertão sergipano, a pecuária leiteira e a bovinocultura de corte são atividades importantes para a economia regional.

A redução das precipitações pode comprometer a recuperação das pastagens e dificultar a produção de volumosos destinados à alimentação animal.

Em outras regiões do estado, agricultores que trabalham com milho, mandioca, feijão e outras culturas de sequeiro também precisam acompanhar as condições de umidade do solo antes de realizar novos plantios.

A irregularidade das chuvas pode prejudicar a germinação das sementes, o desenvolvimento das plantas e o aproveitamento dos fertilizantes aplicados.

Os impactos, entretanto, variam conforme o município, o tipo de solo, a cultura e as condições de manejo.

Falta de pastagens pode elevar custos da pecuária

Entre os principais riscos associados à estiagem está a redução da disponibilidade de forragem para os rebanhos.

Com menos chuva, as pastagens podem apresentar crescimento limitado e menor capacidade de suporte.

Em propriedades que dependem principalmente do pastejo, essa situação pode exigir maior utilização de alimentos conservados e suplementos.

Entre as alternativas utilizadas pelos pecuaristas estão:

  • Silagem de milho e sorgo;
  • Silagem de capim;
  • Feno e outros volumosos conservados;
  • Palma forrageira;
  • Cana-de-açúcar, quando tecnicamente indicada;
  • Concentrados e suplementos nutricionais formulados conforme a categoria animal.

A escolha da estratégia alimentar deve considerar a disponibilidade regional, a composição nutricional dos ingredientes e os custos de aquisição e transporte.

O uso de concentrados não substitui automaticamente a necessidade de fibra efetiva na dieta dos ruminantes.

A formulação deve ser acompanhada por médico-veterinário ou zootecnista, especialmente em sistemas de confinamento e semiconfinamento.

Produção de leite pode sofrer pressão com a estiagem

A pecuária leiteira está entre as atividades que exigem atenção constante à disponibilidade de água e alimentos.

A redução da oferta de pastagens pode aumentar a dependência de silagem e ração concentrada.

Além disso, temperaturas elevadas podem provocar estresse térmico nos animais, dependendo das condições ambientais, da raça e das instalações.

Em vacas leiteiras, o estresse térmico pode comprometer o consumo de matéria seca, o conforto e o desempenho produtivo.

Para minimizar os riscos, os produtores devem avaliar a disponibilidade de sombra, ventilação e água de qualidade.

O planejamento alimentar também é importante para evitar perdas excessivas de condição corporal e dificuldades reprodutivas.

No Alto Sertão de Sergipe, onde a produção leiteira possui grande importância econômica, essas medidas podem contribuir para reduzir os impactos da estiagem sobre a atividade.

Reservatórios do Nordeste também exigem atenção

O boletim nacional apresenta informações sobre a disponibilidade hídrica dos reservatórios monitorados.

Em 23 de outubro, o armazenamento equivalente dos reservatórios do Nordeste correspondia a aproximadamente 45,4% da capacidade.

O levantamento também identificou 103 açudes monitorados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) com volume inferior a 20%.

Esses números são referências regionais e não representam a situação individual de todos os reservatórios sergipanos.

A disponibilidade de água em cada propriedade depende de fatores locais, como capacidade dos reservatórios, abastecimento por poços, vazão disponível e consumo dos animais.

Por isso, o monitoramento das fontes de água deve fazer parte do planejamento das atividades rurais.

Agricultura familiar também está sob alerta

O sistema de monitoramento do Cemaden identificou 380 municípios brasileiros com algum nível de alerta relacionado à seca na agricultura familiar.

A condição exige atenção porque muitos pequenos produtores dependem diretamente das chuvas para cultivar alimentos e manter criações.

A falta de precipitação pode provocar dificuldades na implantação das lavouras, redução da produção e aumento dos custos para manutenção dos animais.

Em situações mais severas, também pode comprometer a disponibilidade de alimentos destinados ao consumo das famílias e à comercialização.

O acompanhamento dos alertas oficiais e a orientação técnica são importantes para reduzir riscos e orientar decisões de plantio e manejo.

Como os produtores podem se preparar para os próximos meses?

Diante das projeções climáticas, o planejamento antecipado é uma das principais ferramentas para reduzir prejuízos.

Na pecuária, o primeiro passo é avaliar a quantidade de alimento disponível e estimar o consumo do rebanho durante o período de menor crescimento das pastagens.

Também é importante verificar as condições de armazenamento de silagens, fenos e outros volumosos conservados.

A compra antecipada de alimentos pode ser considerada quando houver condições comerciais favoráveis, mas deve ser baseada em orçamento e análise da necessidade real da propriedade.

Na agricultura, o produtor deve acompanhar as previsões climáticas, verificar a umidade do solo e observar as recomendações de zoneamento agrícola aplicáveis à cultura.

A utilização de variedades adaptadas, práticas de conservação do solo e estratégias de manejo da água pode contribuir para reduzir a vulnerabilidade das lavouras.

Entre as medidas preventivas estão o acompanhamento das previsões meteorológicas, a manutenção das estruturas de armazenamento de água, o planejamento das reservas alimentares e a adequação da quantidade de animais à capacidade de suporte da propriedade.

O que esperar das chuvas nos próximos meses?

O cenário apresentado pelo Painel El Niño indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Nordeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Isso não significa que todos os municípios terão o mesmo comportamento climático.

A distribuição das precipitações poderá variar conforme a atuação de sistemas atmosféricos regionais.

Por esse motivo, os produtores devem acompanhar os boletins meteorológicos atualizados e não basear decisões exclusivamente em previsões sazonais.

As instituições federais responsáveis pelo Painel El Niño continuarão monitorando o fenômeno e divulgando novas informações.

Seca reforça importância do planejamento agropecuário

O avanço da seca no Nordeste representa um desafio para a produção agrícola e para a manutenção dos rebanhos.

Em Sergipe, o cenário merece atenção devido à importância da pecuária leiteira, da bovinocultura de corte e das atividades agrícolas desenvolvidas em diferentes territórios do estado.

A combinação de menor disponibilidade de água, redução da produção de pastagens e possível aumento dos custos alimentares pode pressionar a rentabilidade das propriedades rurais.

Embora o El Niño aumente a probabilidade de determinadas condições climáticas, os impactos efetivos dependem da evolução das chuvas e das características de cada região.

Para os produtores, o momento exige planejamento, acompanhamento técnico e atenção aos comunicados oficiais, especialmente nas propriedades que dependem de pastagens e lavouras de sequeiro.

O SE Agrícola continuará acompanhando os boletins climáticos e seus possíveis reflexos sobre a agricultura e a pecuária de Sergipe e do Nordeste.