Uma unidade demonstrativa destinada à criação sustentável de galinhas caipiras será estruturada no Centro de Difusão de Tecnologias Agroecológicas, localizado no Perímetro Irrigado Jacarecica I, em Itabaiana.
O projeto é conduzido pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe, a Emdagro, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe, a Fapitec.
Denominada “Criação de Galinhas Caipiras: modelo para capacitação de agricultores familiares, técnicos e estudantes”, a iniciativa integra o Programa Integrado de Pesquisa e Extensão Rural. A proposta combina assistência técnica, formação profissional, atividades práticas e pesquisa aplicada à realidade das pequenas propriedades.
Aviário será utilizado para aulas e pesquisas
O projeto prevê a recuperação e adequação de um aviário já existente no Centro de Difusão de Tecnologias Agroecológicas.
Depois da reforma, o espaço deverá funcionar como unidade demonstrativa e pedagógica, permitindo que produtores, extensionistas e estudantes acompanhem práticas de criação de aves em condições próximas às encontradas nas propriedades familiares.
As capacitações deverão abordar temas como:
- manejo adequado das aves;
- alimentação alternativa;
- controle sanitário;
- bem-estar animal;
- boas práticas de produção;
- sustentabilidade da atividade;
- aproveitamento de recursos disponíveis nas propriedades.
O espaço também deverá ser utilizado para o desenvolvimento e a avaliação de tecnologias adaptadas às condições de Sergipe.
Projeto prevê aquisição de 50 pintainhas
Entre as metas apresentadas está a aquisição de 50 pintainhas caipiras, que serão utilizadas nas demonstrações de manejo e nas atividades práticas.
Nos primeiros dois meses do projeto, a previsão é realizar obras de recuperação da estrutura, comprar equipamentos e adquirir os insumos necessários para receber as aves.
A chegada das pintainhas está prevista entre o terceiro e o quarto mês de execução. As capacitações devem começar a partir do sexto mês, após a preparação da unidade e a organização dos grupos participantes.
É importante diferenciar o anúncio da execução completa: o projeto foi aprovado e divulgado, mas suas metas serão cumpridas progressivamente conforme o cronograma.
Trinta produtores deverão ser selecionados
A proposta estabelece a seleção e o cadastramento de 30 produtores e produtoras rurais, provenientes de diferentes unidades regionais da Emdagro.
Antes das capacitações, deverá ser aplicado um questionário para levantar informações sobre:
- sistemas de criação já existentes;
- mercado consumidor;
- dificuldades enfrentadas;
- expectativas dos participantes;
- necessidades técnicas das propriedades.
O diagnóstico servirá como base para ajustar o conteúdo dos cursos à realidade dos criadores.
Também está prevista a participação de dez extensionistas rurais nas atividades de formação. A meta é realizar dois cursos divididos em módulos e duas oficinas práticas.
Centro está localizado no Perímetro Jacarecica I
A unidade será instalada no Centro de Difusão de Tecnologias Agroecológicas da Emdagro, situado no Perímetro Irrigado Jacarecica I, em Itabaiana.
A localização foi considerada estratégica por possuir auditório, áreas para atividades práticas e acesso relativamente central para participantes de diferentes regiões do estado.
O centro já desenvolve trabalhos relacionados a hortaliças orgânicas, batata-doce, banana, gliricídia, sistemas agroflorestais e outras experiências de produção sustentável.
Apesar de a estrutura estar em Itabaiana, o projeto pretende selecionar produtores atendidos pelas unidades regionais da Emdagro e disseminar os conhecimentos para outras localidades.
Alimentação alternativa poderá reduzir dependência de insumos
Um dos desafios da avicultura familiar é o peso da alimentação no custo total da criação.
A proposta prevê a abordagem de alimentos alternativos e recursos disponíveis regionalmente, buscando reduzir a dependência de rações industriais sem comprometer as necessidades nutricionais das aves.
Essa substituição, porém, não deve ser feita de maneira improvisada. As aves precisam receber alimentação equilibrada de acordo com idade, finalidade da criação e fase produtiva.
Ingredientes inadequados, quantidades insuficientes ou dietas desbalanceadas podem provocar queda na postura, crescimento lento, problemas sanitários e mortalidade.
Por isso, as alternativas devem ser avaliadas e orientadas por profissionais habilitados.
Controle sanitário será parte da capacitação
A criação de aves caipiras exige medidas de biossegurança, mesmo quando conduzida em pequena escala.
Entre os cuidados necessários estão a limpeza das instalações, controle de entrada de pessoas, origem conhecida das aves, proteção dos alimentos, fornecimento de água limpa e separação de animais doentes.
A proposta prevê orientações sobre controle sanitário, manejo nutricional e prevenção de perdas. Entre os resultados esperados está a redução da incidência de doenças e da mortalidade causada por falhas de manejo.
O documento também informa que as pintainhas deverão ser adquiridas com procedência garantida e mantidas sob medidas de controle sanitário, conforto térmico, profilaxia e nutrição balanceada.
Atividade pode complementar a renda familiar
A avicultura caipira pode gerar alimentos para consumo da própria família e produtos destinados à comercialização, como ovos e aves.
O projeto considera a atividade uma alternativa para diversificação da propriedade e complementação da renda dos agricultores familiares.
A expectativa é que as técnicas difundidas ajudem a melhorar a produtividade, reduzir perdas e ampliar a competitividade dos pequenos criadores.
O resultado financeiro, no entanto, dependerá de fatores como custo da alimentação, mortalidade, produtividade das aves, disponibilidade de mercado, regularidade da produção e preço de venda.
Antes de ampliar a criação, o produtor deve calcular despesas com instalações, aquisição das aves, alimentação, mão de obra, sanidade, embalagens e transporte.
Produção precisa seguir normas sanitárias
A venda de aves, ovos e produtos processados deve observar as normas sanitárias aplicáveis à atividade.
A criação para consumo familiar possui características diferentes de uma produção comercial destinada a feiras, mercados, restaurantes ou programas públicos.
Quando houver comercialização, o produtor deverá verificar exigências relacionadas a cadastro, inspeção, transporte, rotulagem, armazenamento e condições higiênico-sanitárias.
A própria proposta cita como referências técnicas normas voltadas à produção, classificação e identificação do ovo caipira e do frango caipira.
Unidade deverá permanecer disponível para novas atividades
Ao final do projeto, a expectativa é que o aviário continue sendo utilizado em cursos, visitas técnicas, pesquisas e intercâmbios de experiências.
A proposta também prevê a elaboração de material informativo com boas práticas de manejo, além da formação de parceria com pelo menos uma instituição de ensino ou pesquisa.
Segundo o planejamento, a estrutura permanente poderá permitir a capacitação de novos grupos mesmo depois do encerramento das primeiras turmas.
Os interessados deverão acompanhar os canais oficiais da Emdagro para verificar quando será iniciada a seleção dos produtores, quais municípios poderão participar e quais critérios serão adotados.
O SE Agrícola continuará acompanhando a execução do projeto, a chegada das aves e a abertura das futuras capacitações.