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MAPA confirma segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina e amplia vigilância sanitária

Nova ocorrência foi identificada em uma granja com 36,8 mil perus em Coronel Freitas. Autoridades ampliaram o monitoramento para mais 145 propriedades e reforçaram as medidas de contenção da doença.

Imagem: SE Agrícola

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou um segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, desta vez em uma granja comercial de perus de corte localizada no município de Coronel Freitas, no Oeste catarinense.

A confirmação foi divulgada oficialmente no domingo (25), após a identificação do vírus durante as ações de vigilância epidemiológica realizadas na região.

O novo estabelecimento afetado possui 36.800 perus de corte, segundo informações divulgadas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

A ocorrência foi identificada dentro da região que já estava sob monitoramento sanitário após o primeiro foco da doença, confirmado em 18 de outubro, no município de Nova Itaberaba.

As autoridades informaram que os protocolos de contenção estão em andamento, incluindo investigação epidemiológica, controle sanitário e despovoamento das aves do estabelecimento afetado.

Vigilância sanitária é ampliada para mais 145 propriedades

Após a confirmação do segundo foco, as equipes de defesa agropecuária ampliaram a área de vigilância em aproximadamente 2,5 quilômetros no sentido nordeste da região inicialmente delimitada.

A atualização incorporou 145 propriedades ao monitoramento sanitário, incluindo oito estabelecimentos comerciais.

A medida busca identificar precocemente possíveis novas ocorrências e impedir a disseminação do vírus para outras propriedades avícolas.

Segundo a Cidasc, grande parte da área relacionada ao novo foco já estava abrangida pelas ações de vigilância estabelecidas anteriormente.

O trabalho envolve inspeções nas propriedades, acompanhamento dos plantéis, coleta de amostras e controle do trânsito de animais e materiais sujeitos às medidas sanitárias.

As ações são coordenadas pelo MAPA e pela Cidasc, com apoio de outras instituições estaduais e federais.

Quatro municípios permanecem em emergência zoossanitária

A confirmação do novo foco não alterou a relação de municípios catarinenses abrangidos pela declaração de emergência zoossanitária.

A Portaria MAPA nº 962/2026 estabeleceu a medida pelo prazo de 60 dias nos municípios de:

  • Nova Itaberaba;
  • Coronel Freitas;
  • Águas Frias;
  • Nova Erechim.

A declaração permite intensificar os procedimentos de vigilância, controle e resposta à emergência sanitária.

No estabelecimento onde ocorreu o primeiro foco, em Nova Itaberaba, os procedimentos de limpeza e desinfecção já foram concluídos.

Segundo a Cidasc, a propriedade encontra-se em vazio sanitário.

Já no estabelecimento de Coronel Freitas, os procedimentos sanitários continuam em andamento.

O que é a doença de Newcastle?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta diferentes espécies de aves.

Causada por determinadas variantes virulentas do paramixovírus aviário tipo 1, a doença pode provocar alterações respiratórias, digestivas e neurológicas.

Entre os sinais clínicos que exigem atenção dos criadores estão:

  • Dificuldade respiratória e secreções nasais;
  • Diarreia;
  • Torcicolo e alterações neurológicas;
  • Redução do consumo de água e ração;
  • Queda na produção de ovos;
  • Mortalidade elevada, dependendo da virulência do vírus e das condições do plantel.

A transmissão pode ocorrer pelo contato com aves infectadas, secreções, excreções e materiais contaminados.

Por esse motivo, o controle de acesso às instalações e a adoção de medidas de biosseguridade são fundamentais para a prevenção da enfermidade.

Criadores devem reforçar os cuidados com a biosseguridade

Diante das ocorrências, as autoridades sanitárias reforçam a importância da prevenção em propriedades comerciais e criações de subsistência.

Entre os principais cuidados estão a manutenção de telas de proteção nos aviários, o controle de pragas, a higienização de veículos e equipamentos e a restrição do contato entre aves domésticas e aves de vida livre.

Também é importante observar diariamente o comportamento dos animais, o consumo de água e ração e a ocorrência de sinais clínicos incomuns.

Em caso de suspeita, o produtor deve comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial.

A notificação permite que profissionais habilitados realizem a investigação e adotem as medidas sanitárias necessárias.

A recomendação é não movimentar aves suspeitas nem tentar resolver a ocorrência sem orientação do serviço veterinário oficial.

Novo foco preocupa o setor avícola brasileiro

A avicultura brasileira possui grande importância econômica, tanto no abastecimento do mercado interno quanto nas exportações.

A confirmação de focos de doenças de notificação obrigatória pode resultar em restrições comerciais temporárias, conforme as exigências sanitárias estabelecidas pelos países importadores.

Após a primeira ocorrência em Santa Catarina, alguns parceiros comerciais anunciaram restrições sobre determinados produtos avícolas brasileiros.

O MAPA mantém negociações com as autoridades sanitárias internacionais para apresentar as medidas adotadas e buscar a normalização do comércio conforme os requisitos de cada mercado.

A confirmação do segundo foco reforça a necessidade de acompanhamento da situação sanitária, mas não significa, por si só, que novas restrições comerciais tenham sido estabelecidas.

Consumo de carne de aves inspecionada permanece seguro

Apesar da preocupação sanitária, o MAPA esclareceu que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro.

A doença de Newcastle é tratada principalmente como uma questão de sanidade animal e de proteção da produção avícola.

O consumidor deve continuar adquirindo carne e ovos de estabelecimentos regularizados, observando as recomendações habituais de conservação, manipulação e preparo dos alimentos.

Qual o impacto para os avicultores de Sergipe e do Nordeste?

Embora os focos confirmados estejam localizados em Santa Catarina, a situação merece atenção dos produtores de outras regiões brasileiras.

Em Sergipe e nos demais estados nordestinos, a prevenção depende do cumprimento das exigências sanitárias, da adoção de boas práticas de manejo e da comunicação de suspeitas aos órgãos responsáveis.

Produtores de frangos de corte, galinhas poedeiras, perus e aves de subsistência devem manter atenção especial ao trânsito de animais e à entrada de pessoas, veículos e equipamentos nas instalações.

A ocorrência catarinense não representa a confirmação de um foco em Sergipe.

O acompanhamento das informações oficiais é essencial para evitar boatos e orientar corretamente os criadores.

MAPA mantém ações para conter a doença

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Cidasc continuam realizando ações de vigilância epidemiológica e controle sanitário no Oeste catarinense.

O objetivo é impedir a disseminação do vírus, identificar eventuais novas ocorrências e restabelecer as condições sanitárias da região.

A confirmação do segundo foco demonstra a importância da vigilância ativa, especialmente em áreas próximas a estabelecimentos onde já foram identificadas ocorrências.

O SE Agrícola continuará acompanhando os comunicados oficiais do MAPA e dos serviços estaduais de defesa agropecuária, com atenção aos desdobramentos para a avicultura brasileira e aos possíveis impactos comerciais para os produtores.