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Safra de soja do Brasil pode alcançar 184 milhões de toneladas em 2026/27, aponta relatório do USDA

Nova projeção do escritório agrícola norte-americano em Brasília indica possibilidade de safra recorde, aumento das exportações e maior demanda industrial. Condições climáticas e custos de produção continuam entre os principais desafios dos agricultores.

Imagem: SE Agrícola

A produção brasileira de soja poderá alcançar 184 milhões de toneladas na safra 2026/2027, segundo uma nova estimativa divulgada pelo escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília.

O levantamento, publicado em 22 de outubro, aponta crescimento de aproximadamente 2% em relação às 180,5 milhões de toneladas estimadas para a temporada anterior.

Caso o volume seja confirmado, o Brasil poderá registrar mais um recorde de produção da oleaginosa, consolidando sua posição entre os principais fornecedores de soja do mercado internacional.

A perspectiva positiva está relacionada à ampliação da área cultivada e à expectativa de melhoria da produtividade. Entretanto, os pesquisadores alertam que as condições climáticas e o aumento dos custos de produção ainda representam desafios importantes para os agricultores brasileiros.

Projeção de 184 milhões de toneladas supera estimativa da Conab

As principais instituições que acompanham a produção agrícola brasileira apresentam projeções diferentes para a safra 2026/2027.

Enquanto o escritório agrícola do USDA em Brasília estima uma produção de 184 milhões de toneladas, a projeção oficial do departamento norte-americano é de 186 milhões de toneladas.

Já a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu primeiro levantamento da temporada, estima uma produção de aproximadamente 181,6 milhões de toneladas.

Confira as projeções para a safra brasileira de soja 2026/2027:

InstituiçãoProdução estimadaConab181,6 milhões de toneladasEscritório agrícola do USDA em Brasília184 milhões de toneladasUSDA — estimativa oficial186 milhões de toneladas

As diferenças estão relacionadas às metodologias utilizadas, às estimativas de área cultivada, à produtividade esperada e às avaliações das condições climáticas.

É importante destacar que o relatório elaborado pelo escritório agrícola norte-americano em Brasília representa uma análise técnica própria, não substituindo as projeções oficiais do USDA.

Área plantada deve alcançar 49,7 milhões de hectares

O levantamento estima que a área destinada ao cultivo de soja no Brasil poderá atingir 49,7 milhões de hectares, crescimento de aproximadamente 1,4% em comparação com a temporada anterior.

A expansão deverá ocorrer principalmente em regiões com disponibilidade de terras agrícolas e potencial de crescimento da produção.

Entre as áreas acompanhadas estão os estados que integram o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Apesar da expectativa de aumento da área cultivada, o ritmo de expansão apresenta sinais de desaceleração.

Os custos elevados de fertilizantes, defensivos agrícolas, financiamento e operações de campo estão entre os fatores que exigem maior cautela dos produtores na definição dos investimentos.

A produtividade média projetada é de aproximadamente 3,7 toneladas por hectare.

El Niño e excesso de chuvas preocupam produtores

O comportamento do clima será um dos principais fatores para determinar o resultado da safra brasileira.

Segundo o relatório, as chuvas registradas no início da temporada favoreceram a implantação das lavouras em importantes regiões produtoras.

Entretanto, o excesso de precipitações no Rio Grande do Sul e a possibilidade de eventos meteorológicos intensos em outros estados podem comprometer determinadas etapas do desenvolvimento das culturas.

Os pesquisadores avaliam que os riscos climáticos poderão afetar especialmente as operações de colheita, previstas para os primeiros meses de 2027.

A possibilidade de influência do fenômeno El Niño também mantém os agricultores atentos ao calendário agrícola.

Além da soja, existem preocupações relacionadas ao plantio do milho e do algodão de segunda safra, culturas que dependem diretamente do período de colheita da oleaginosa.

Atrasos na retirada da soja podem reduzir a janela de plantio das culturas seguintes e aumentar a exposição a condições climáticas desfavoráveis.

Por isso, o acompanhamento das previsões meteorológicas e o planejamento das operações agrícolas serão fundamentais ao longo da temporada.

Exportações brasileiras de soja podem atingir 117,5 milhões de toneladas

O Brasil também deverá manter uma participação expressiva no comércio internacional de soja.

O escritório agrícola norte-americano projeta exportações de 117,5 milhões de toneladas na temporada 2026/2027, crescimento de aproximadamente 2,2% em relação aos 115 milhões de toneladas estimados para o ciclo anterior.

A expectativa de aumento dos embarques reforça a importância do mercado externo para a formação dos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A China permanece como um dos principais destinos da soja nacional, embora as condições comerciais internacionais possam influenciar o ritmo das negociações.

Além das exportações, o mercado interno deverá ampliar sua participação no consumo da oleaginosa.

Indústria brasileira deve aumentar o processamento de soja

Outro destaque do relatório é a expectativa de crescimento do processamento industrial.

O volume de soja destinado ao esmagamento poderá alcançar 65 milhões de toneladas, superando os 63,5 milhões de toneladas estimados para a temporada anterior.

O processamento gera produtos importantes para diferentes setores da economia, especialmente o farelo e o óleo de soja.

O farelo é amplamente utilizado na fabricação de rações para bovinos, aves, suínos e outras espécies.

Já o óleo possui aplicações na indústria alimentícia e na produção de biodiesel.

A expectativa de aumento do consumo interno poderá ampliar a demanda das indústrias brasileiras pelo grão.

Entretanto, o crescimento da produção e do processamento não significa necessariamente valorização imediata dos preços.

As cotações continuarão dependendo da oferta mundial, do câmbio, dos custos logísticos e do comportamento dos compradores.

Estoques de soja podem apresentar redução

Mesmo diante da possibilidade de uma produção recorde, o relatório indica que os estoques brasileiros de soja poderão diminuir.

A estimativa do escritório agrícola norte-americano aponta estoques finais próximos de 3,96 milhões de toneladas, contra aproximadamente 6,06 milhões de toneladas na temporada anterior.

A redução projetada está relacionada ao crescimento das exportações e do processamento industrial.

Esse cenário demonstra que uma produção maior não significa necessariamente aumento dos volumes disponíveis ao final da temporada.

O comportamento dos estoques será importante para avaliar o equilíbrio entre oferta e demanda e suas possíveis consequências sobre os preços.

O que a nova projeção significa para os produtores do Nordeste?

Embora a maior parte da soja brasileira seja produzida no Centro-Oeste e no Sul, o Nordeste também possui participação relevante na cadeia produtiva.

O oeste da Bahia, o sul do Maranhão e o sudoeste do Piauí integram importantes regiões de produção de grãos.

Nessas localidades, a perspectiva de uma safra maior poderá influenciar decisões relacionadas à compra de insumos, ao armazenamento e à comercialização antecipada.

Para os produtores de Sergipe, os possíveis efeitos estão relacionados principalmente ao mercado de alimentação animal.

O farelo de soja é uma das principais fontes de proteína utilizadas na fabricação de rações para bovinos leiteiros, bovinos de corte, aves, suínos e equinos.

Uma oferta maior de soja pode favorecer a disponibilidade de matéria-prima, mas os preços do farelo dependerão também da demanda industrial, das exportações e dos custos de transporte até o Nordeste.

Assim, mesmo produtores que não cultivam soja diretamente devem acompanhar o mercado da oleaginosa.

Planejamento será fundamental para a safra 2026/2027

A expectativa de produção recorde reforça o potencial da agricultura brasileira, mas também evidencia a necessidade de planejamento.

Para os agricultores, o acompanhamento das condições climáticas, dos custos de produção e das oportunidades comerciais será essencial durante os próximos meses.

Na pecuária, o comportamento dos preços da soja e de seus derivados poderá influenciar diretamente o custo das rações e suplementos